Se já
pensei em me matar? Não dizem que os poetas estão mais propensos a isso? Não
dizem que quem sofre com dores crônicas sucumbem mais cedo? Estou dentro destas
duas estatísticas. Por que eu não pensaria em suicídio? Primeiro, antes de
tudo, devo alertar que pesquisei no Google a palavra suicídio, e me deparei com
um verdadeiro suicídio ortográfico! Escrevia ela com acento no primeiro I. O que
na hora da fala fica bem estranho. Já tentou falar assim? Dá nó no estômago,
fica até feio para mim... Afinal, falo tanto assim que escrevo por anos e não
sei escrever suicídio? Ninguém é perfeito, assim como o suicídio também não é.
Pensar que
a morte pode apaziguar alguma coisa é se submeter a sua própria fraqueza. E é
bom estar deprimido, sentir-se uma escória ou um lixo. Todos estes sentimentos
são igualmente valorosos para a formação de grandeza do caráter humano. E nós, querendo ou não, ainda somos humanos (com algumas exceções, que prefiro não
escrever aqui neste texto, já tão carregado de palavras de dor e negativas).
Se já
tentei me matar? Sim e não. Acho que não foi tão intencional, como aquela vontade de morrer expressa tantas vezes nas cenas do cinema ou da televisão,
nos contos e romances que eu já li. Não foi nada bonito tomar remédios para
dormir e quando acordar sentir que ainda estava vivo, numa tarde de quarta
feira de verão escaldante, depois de voltar da aula de inglês, sozinho em casa.
Foi no ano que minha mãe morreu e as coisas não faziam nenhum sentido.
E se você
ser destratado no colégio, tendo cinco amigos entre quinhentos e tantos, ser
julgado e enfrentar desaforos, instabilidade familiar, personalidade ainda em desenvolvimento,
dores sem motivos aparentes, forem coisas que não fazem sentido, então não sei
o que é que faz. Sou da primeira geração do bullying, daquela em que o termo
violência física e emocional, trazido para o português, começou a ser debatido.
E posso
vos garantir: hoje sou eu que sonho com castelos, e não aqueles de areia que
vemos nas praias, mas aqueles de pedras da Idade Medieval. Morrer? Todo mundo
vai morrer um dia. Por que eu deveria adiantar as coisas? A vida é essa roda da
fortuna!
[...]
Alguns comprimidos a mais não
me matam,
Algumas palavras a mais não
me tiram do sério,
Alguns planos fracassados não
me interessam,
Os meus sonhos acabados não
me importam,
O quanto você acredita em
você muito menos.
Se tivesse algum tipo de
veneno nessa casa,
Cansei do meu, tão ácido e
mórbido.
Vou ter que sair daqui e
fechar os meus olhos,
E eu sei que isso não vai ser
um fim,
Por que eu morro quando eu
quero.
Se não posso decidir o que
ver, ouvir e falar,
O que eu posso comer e no que
eu posso opinar,
O jeito mais belo que me
sobra é tomar,
Comprimidos que me dopem
desse mundo de hipocrisia.
Enquanto você sonhava com
castelos, eu sonhava com a companhia,
Da felicidade ao apego da
minha amiga morte.
(Vai Tomar No... - 2012 - O
Diabo Vespertino e a Loucura - Vinicius Osterer)

Nenhum comentário:
Postar um comentário