Até hoje.
Até agora. Talvez esteja dentro de um jogo de adivinhações com cartas. Talvez
esteja dentro de um sábado chuvoso onde assisto “O Mágico de Oz” pela enésima
vez, desejando um lugar além do arco-íris. Talvez eu faça mesmo a torta de
maça. Por que talvez eu precise ver as pessoas que eu amo felizes, e nunca
negue dizendo um não.
Pode ser
uma impressão ou talvez seja apenas um talvez. Um desses “talvez eu faça alguma
coisa para ser lida”, “Talvez eu faça alguma coisa apenas para mim”, “Talvez
não faça nada”, “Talvez, talvez...”, “Talvez nem esteja mais aqui”.
Talvez eu
seja o verbo, modificado pelo advérbio, feito Jesus carne que remiu o pecado do
mundo. Talvez todos somos verbos modificados por advérbios, alguns de dúvida,
outros de negação, outros extrapolando a ordem, o lugar e o tempo. E posso ser
muito, demais, pouco, todo. De modo algum serei o antes, ali, embaixo e breve.
Não sou lugar e nem tempo. Sou apenas mais um modo passageiro.
Não sou
mais o verbo, habitando a síntese da criação. Talvez isso nem faça sentido se
não for pendurado em uma igreja, publicado em um domingo, escrito por um
cristão. Com os olhos preenchidos pela lua, o coração colocando menos força e
gerando mais ação. Posso ser um advérbio de afirmação, eu sei acabar perfeitamente
o que precisa de um fim.
“Você foi
e se foi é passado,
Não tente
julgar um verbo no tempo errado”.
O que
fazer agora? Uma torta de maça, com o que sobrou de sentimento. Talvez eu mude
como o tempo lá de fora. Sou um advérbio de dúvidas.
Dia 21 de Maio de 2017,
Vicenzo Vitchella.

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